.:Pontus:.

Surpreendentemente meus olhos não estavam a me enganar, era aquele senhor que vinha em minha direção segurando minha esfera cristalina. Como ele consguira me encontrar? Ao que me pareceu, ele era cego!
Não tive tempo de perguntar seu nome, ele chegou com a insignia e a comprimiu contra minhas mãos. Seu olhar cinzento vago me dizia apenas para esperar, ele já estava ciente de tudo.
Engraçado como dentre tantas linguas que aprendi, a que me fora mais util e que era universal era a do olhar. Mesmo os que nada podiam ver através deles eram capazes de se comunicar, pois a alma gritava mesmo estando amordaçada. Matéria essa intrasponivel, imaterial, intangível e perpétua, mas ainda assim uma incógnita até mesmo para os hierofantes, sabios e gnósticos antigos ou cabalísticos. Segredos a parte o único que me interessava nesse momento era a identidade da nobre alma que salvara minha vida.
Tanto ocorrera no meu subconsciente que me esquecera do quanto estava ferido. O jovem que me ajudara não entendia mais nada, estava alheio ao que acontecia.
Sentindo como se uma parte de mim tivesse voltado ao lugar senti meu sangue fluir como um riacho fresco em uma tarde quente de outono.
Sem mais o senhor virou para mim e disse:
- Meu nome é Fineu meu jovem.
O jovem já não estava entendendo mais nada e disse que ia buscar ajuda. Acho que ele fugiu confuso por parecer sugado para fora de seu mundo comum e cotidiano. Mas algo me dizia que ainda iríamos nos rever.
Minha ferida foi se fechando enquanto o sangue impuro terminava de fluir filtrando minhas energias. Um pequeno objeto metálico saiu da ferida e me lembrei da dor do momento em que este simples objeto me acertara.
- Pronto. Te devia um favor, simplesmente por me trazer algo que sequer me lembrava de possuir.
- Você voltou a enchergar apenas por segurar o cristal?
- Não meu jovem, não o que você entende como enchergar. Mas sim, limpou minha visão de mundo espantando minhas harpias que cantavam doces melodias, que me consolavam e aceitando seu encanto me sentia confortável, fugindo da verdade, quando estavam na verdade devorando minha alma.
O senhor parecia aliviado de um conflito existencial intenso. Talvez estivesse abatido por um erro que a culpa não o deixava esquecer. Ainda não tenho total noção dos poderes do meu cristal.
Irônico, algo dentro de mim queria muito saber também as capacidades deste amuleto. Meu mestre me falara algo sobre o cristal como sendo o símbolo do poder das águas em suas manifestações físicas e simbólicas.
- Vamos, sente-se rapaz. Minha visão me trouxe aqui, mas vi coisas que não queria ver. Você ainda tem muito o que enfrentear meu jovem. Tempos difíceis estão chegando. Há muitos monstros a solta, mesmo não sendo como antes. Há tempos eles estão aprisionados em na forma de símbolos, analogias e metáforas. Presos apenas ao significados, mas desde que você voltou eles estão reassumindo suas formas corpóreas e você carregando a fonte da vida é uma tentação a todos eles.
- O droga, la vamos nós. - disse o felino enquanto olhava ao redor.
Fineu já estava a me levantar quando que por alguns segundos ao admirar a ruína deste templo moderno de culto a tecnologia vejo uma das paredes do edifício explodindo e um vulto enorme adentrando violentamente.
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*Pontus/pontos(grego) - mar












































